QUANTOS WATTS ESTA CAIXA DA?

Esta é uma pergunta recorrente nos cursos, workshops e até mesmo em conversas informais com técnicos, instaladores e lojistas

Este é um tema interessante e, muitas vezes, até polêmico.

Ha décadas o brasileiro está acostumado a comparar produtos apenas pelas potências RMS de amplificadores, alto falantes, drivers e tweeters, tanto na linha profissional como na linha automotiva. Provavelmente porque os sistemas desta época eram todos passivos e os cálculos deveriam ser feitos pelo usuário final. Incluem-se aqui, os ajustes dos limiters, filtros etc.

Mas não faz sentido este questionamento em caixas acústicas ativas ou mesmo em sistemas passivos quando é tudo fornecido pelo fabricante, num pacote fechado.

Muitas coisas mudaram dos anos 1970 para cá. Uma delas é a forma de medição de potência destes elementos. Não mais são medidos com ondas senoidais mas com sinais que se aproximam das características de um programa musical, onde cada fabricante utiliza uma determinada forma para realizar estas medições, acabando por dificultar a comparação direta entre produtos concorrentes. Muitas vezes encontramos diversos dados sobre potência em um mesmo manual, onde se referem a algumas normas e também a estes formatos próprios. Recentemente a Meyer Sound propôs para a indústria do áudio, um sinal de teste mais parecido com um programa musical, o M-Noise ( https://meyersound.com/video/m-noise/ ), onde a idéia é que seja o sinal usado por todos os fabricantes.

Há vídeos na internet condenando as potências de amplificadores consagrados, onde medem suas tensões de saída aplicando em suas entradas sinais senoidais. O detalhe é que estes amplificadores, geralmente, operam com sinais musicais e não senoidais. Quando operam com música são ótimos.

Também não são consideradas as eficiências dos amplificadores. Muitos entregam uma potência muito menor que a consumida da energia. Podemos encontrar no mercado amplificadores entre 60 e 98% de eficiência.

Precisamos entender que o que ouvimos é pressão sonora (SPL) e não potência elétrica.

Muita potência aumenta o consumo de energia elétrica e, por consequência, a conta de energia, ou o consumo de óleo diesel nos geradores, será maior. Se uma determinada caixa acústica é capaz de gerar maior pressão sonora, consumindo menos potência elétrica, será ótimo e muito mais econômico.

Recentemente um cliente me enviou informações técnicas de uma nova caixa de subgraves que utilizava dois alto falantes com bobina dupla e que suportavam 4000W, cada. Para alimentar esta caixa é necessário um amplificador capaz de fornecer 8000W, sobre uma impedância de 2 Ohms. Comparando esta caixa com o sub S218D da Attack que possui um amplificador de menor potência, na ordem de um pouco mais de 3000W e 2 alto falantes que suportam 1200W AES cada, vimos que o S218D apresentava quase 2dB a mais de pressão sonora, dentro da faixa linear. Em grandes eventos, uma única caixa de subgraves pode não ser suficiente. Imaginem multiplicar este consumo por 24 ou 32 subs. Isso mostra que somente potência não pode ser critério de avaliação e escolha de um produto. E isto precisa chegar ao consumidor final e ao balconista das lojas de áudio, para desmitificar esta questão. Devemos é levantar a bandeira do SPL linear.

Os vendedores me questionam sobre como vender uma caixa acústica sem falar de sua potência RMS.

Buscamos equipamentos mais eficientes, assim como em muitos outros produtos, a exemplo os carros. O carro mais potente não necessariamente é o mais eficiente e mais cilindradas não significa mais potência. Carros mais modernos e com menor potência em relação a carros mais antigos, apresentam maior eficiência. Gastam menos combustível, possuem velocidade final maior, são mais estáveis e etc. Precisamos evoluir juntamente com a tecnologia.

Meu sonho de consumo é uma caixa acústica com apenas um alto falante de 2”, que responda linearmente de 30 a 18kHz, com um amplificador capaz de fornecer até 1 Watt, com cobertura suficiente para cobrir um estádio de futebol e pressão sonora para atender a um grande show neste ambiente. Calma!!! Eu disse que era meu sonho de consumo…

Em outras palavras, a potência é necessária para excitar os transdutores, mas ela não precisa ser exagerada para nos fornecer a pressão sonora adequada, desde que os transdutores sejam muito eficientes e os amplificadores apresentem elevado headroom (reserva de energia para os picos).

Comparar caixas acústicas apenas pelas potências, é um erro.

São muitas variáveis envolvidas neste processo. Portanto, se não encontrarem as especificações de potência nos manuais das caixas Attack, não se assustem. Certamente as especificações de pressão sonora estarão lá.

Aos que ainda se prendem apenas a potência RMS, lembro que chuveiros e ferros elétricos dissipam muita potência mas nem por isso emitem som.”

Denio Costa atua no mercado de áudio profissional desde 1978, é consultor da Attack Audio Systems, diretor técnico da empresa de projetos DGC Áudio, Vídeo e Acústica, é palestrante e instrutor na escola de áudio Núcleo de Formação Profissional – NFP.